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Mensagens

Ser indiana num país como a Índia

Arambol é uma praia no norte de Goa onde confluem pessoas do mundo inteiro. Nos últimos tempos a procura é maioritariamente russa, o que tem trazido uma fama diferente a Goa, nunca a melhorar, devido a desacatos e episódios violentos. Aqui, de dia e de noite, as pessoas passeiam-se sem pressas, parece um parque de diversões para personagens inverosímeis. O mexicano com problemas de álcool, o jovem casal português do Cacém que depois de ter emigrado 10 anos em Inglaterra, decididos a voltar a Lisboa, deixam-se ficar mês e meio para evitar o Inverno, o consultor de imagem de um importante político russo que faz oposição a Putin, um casal de ingleses acima dos 50 que se perdeu no tempo e nas drogas, a sueca atraente e atiradiça que se divorciou há menos de um ano e não esconde que procura sexo ocasional, uma jovem grávida de seis meses com o seu companheiro, ambos nórdicos, sem medo de nada, ou o argentino atormentado, arquitecto de hospitais, que anda há ano e meio a viajar porque carr...

O Mistério das Pirâmides Bósnias

(English translation in a few days) Raquel Ochoa, em Visoko “Temos de parar de agir como professores e passarmos a agir como alunos.” É assim que Sam Semir Osmanagich, fundador do Parque Arqueológico da Pirâmide do Sol da Bósnia, termina a entrevista. Será que, caso existissem indícios de estar incorrecta, grande parte da teoria publicada seria revista pela comunidade científica? Haveria abertura para a reformulação das conclusões? É isso que propõe Semir Osmanagich com a investigação das Pirâmides da Bósnia, as primeiras alguma vez encontradas na Europa, pois, segundo ele, o achado é tão fabuloso que obrigará a rever muitas das posições, rescrevendo a História. Confirmadas as suas suspeitas, estamos perante uma das construções humanas mais antigas jamais realizadas à face da terra. Assim que se atravessa a ponte acedendo à vila de Visoko, a 70 quilómetros de Sarajevo, vê-se um monte atapetado de verde e arborizado apenas numa das frentes. Saltam à vista os seus vértices alinhados ...

ÍNDIA 2012

Conheço a Índia há 10 anos. De 2001 para 2011 noto a Índia bem diferente (como se isto fosse um país homogéneo e não uma aglomeração de 26 países, portanto Estados, diferentes) na sua sempre surpreendente condição. A classe média cresceu, há tantos carros que não andavam por aqui da última vez (2007). A classe pobre também. Como há imensos novos milhões de pessoas, o trânsito já roça a guerra , o som das buzinas é constante, metódico, desagradável, invasivo. Habituamo-nos claro, tolera-se, mas estas estradas sem sinais de trânsito (não é uma hipérbole) são dominadas por quem apita mais, mais alto e ininterruptamente. A pobreza é cada vez mais chocante, sobretudo nas grandes cidades, mas é-o em todo o lado, pois o que eram cidades pequenas há uns anos, tornaram-se aglomerados assustadores neste momento. Crianças libertam as suas fezes doentes na linha, antes que o comboio chegue. Pessoas com cotos em vez de braços ou pernas, calcinados de tão negros. Nos subúrbios de Delhi vêm-se burro...

Auckland - NZ

Com 12 horas adiantadas, algumas das primeiras imagens num dia que o mundo se manifesta.

OCTOBER 29 – #ROBINHOOD GLOBAL MARCH - Auckland

Marvão - A Grande Muralha

Sem suspeita do mais leve desentendimento, Luís olha para Joana e anuncia o porquê destes dias no Marvão: - Há cinco anos foi aqui que a pedi em casamento. Aceitou. Agora todos os anos voltamos, tem de ser… Joana tem atrás de si uma muralha que se vincula teimosamente ao horizonte. E campos a perder de vista preenchidos de Alentejo, Espanha e Beira Baixa. Daqui, Portugal inteiro parece caber nos olhos de quem os abra. Joana e Luís acreditam que neste lugar celebram as coisas boas da sua relação e são muitos os turistas que já descobriram este segredo em forma de burgo amuralhado, revisitando-o como um ritual. Discreto como um décimo quinto andar, é talvez o melhor duplex do país. Para lá chegar é normal que se passe pelo belíssimo triângulo Portalegre - Castelo de Vide – Marvão, deixando este último para o final, à moda das bodas de Caná. Depois da estrada encurralada em freixos, todos pintados com uma larga faixa branca – imagem já capturada para a publicidade a um automóvel dado o s...

Ilha da Madeira

Enfrento a Madeira, porque as suas escarpas não se percorrem nem dominam, torneiam-se. A costa norte é clivosa, tão inclinada como o inferno, tão bela como a floresta que resiste aos aluviões. Dei comigo no Jardim do Mar, localidade encantada, com uma calçada minuciosa e povoada de ar puro. Gente que vai às lapas antes do almoço. É aqui, logo abaixo, que encontro um dos maiores disparates da Madeira. Ao longo da orla do Jardim do Mar houve uma intervenção absurda que revolta os locais e todos os de bom senso. Construíram uma promenade, como aqui lhe chamam, um passeio pedestre ao longo do mar. Nada teria de mal, nada teria de ilógico, se não tivesse acabado, praticamente, com uma das melhores ondas da ilha, como corria a fama “ O Havai da Europa”. A verdade é que o turismo que movimenta os praticantes desta modalidade é uma fonte de desenvolvimento para as localidades, ainda por cima, identificado com o bem-estar ecológico. A onda já não existe e a promenade está vazia. Quem lucrou ...