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Mensagens

A melhor viagem de sempre

(publicado pela revista Focus - Março 2011) é A VIAGEM QUE AINDA NÃO FIZ A melhor viagem que já fiz talvez seja a que ainda está por fazer. Uma ida ao topo do Kilimanjaro, às estepes da Mongólia, ao recife de coral da Austrália, às picadas de Moçambique, aos trekkings em Yellowstone na América do Norte. Porque é esta a filosofia, nunca parar. O mundo muda, a Índia que conheci em 2001 e 2002 não é a mesma que encontrei em 2007. Que não será a mesma que encontrarei neste afortunado regresso em 2011. Ainda bem que estive em Torres del Paine, extremo-sul do Chile, antes do grande incêndio que consumiu parte considerável do parque. A vida inteira não chega para explorar nem sequer metade da sabedoria do planeta. Se não estou a viajar - é uma máxima - estou a trabalhar para o fazer. A melhor viagem que realizei na vida foi a viagem que ainda não fiz. Costumo dizer aos que me rodeiam que não é só importante viajar mas fazê-lo o mais depressa possível. O mundo está em...

Angkor - Cambodja : O Mais Belo Parque do Planeta

(publicado na revista Travel Safaris nº13) A história de Angkor preenche centenas de livros e mesmo assim ainda está longe de estar a descoberto. À semelhança dos seus templos durante séculos devorados pela selva, assim se mantêm algumas histórias, quiçá as mais interessantes, de um império que teve a originalidade fundir hinduísmo e budismo. Talvez por isso seja para os viajantes uma experiência que não termina com uma primeira visita. Foi essa a sensação depois de ter andado a percorrer livremente os templos durante três dias – necessitava de, pelo menos, mais três. É uma viagem de luxo que pode ser vivida com mais ou menos conforto, à escolha. De seguida conto-vos as minhas para visitar aquele que devia ser um dos principais destinos de quem se julgue um explorador. Esta não é uma crónica acabada, uma narrativa com princípio meio e fim. É uma tentativa de compreensão porque Angkor é tão extenso e tão viciante. Angkor Wat é o nome sonante reconhecido mundialmen...

Jornal de Letras - há algum tempo escrevi a rubrica "Diário" - agora divulgo.

Bolívia, Cordillera Real, 2012 Raquel Ochoa 34 anos, publicou duas biografias e três romances, um dos quais distinguido com prémio literário revelação Agustina-Bessa-Luís, mas começou por escrever uma crónica de viagens “O Vento dos Outros”. Chama-lhe “língua-mãe” e o seu percurso explica porquê. Mundo aos goles (pouco) espaçados Agosto de 1999 Percorrer a Europa para fugir dela, já havia pressa de compreender o que consistia o além, sondar o transcontinental, e por isso, com três amigos, o interrail tinha a Capadócia em mente, passando por Itália, ilhas gregas, entrada por Ankara e longos percursos de autocarro até ao casario de cavernas, a paisagem de deserto esculpido. Agosto de 2000 Foi tão grande o impacto da primeira viagem que logo se criou nova oportunidade de partir. Desta vez, outro interrail, sem companhia a maior parte do tempo, pelas ilhas croatas, ao longo da Europa do Leste, Alemanha e Holanda. Viajar só com a mochila, um caderno e dois livros...

Ser indiana num país como a Índia

Arambol é uma praia no norte de Goa onde confluem pessoas do mundo inteiro. Nos últimos tempos a procura é maioritariamente russa, o que tem trazido uma fama diferente a Goa, nunca a melhorar, devido a desacatos e episódios violentos. Aqui, de dia e de noite, as pessoas passeiam-se sem pressas, parece um parque de diversões para personagens inverosímeis. O mexicano com problemas de álcool, o jovem casal português do Cacém que depois de ter emigrado 10 anos em Inglaterra, decididos a voltar a Lisboa, deixam-se ficar mês e meio para evitar o Inverno, o consultor de imagem de um importante político russo que faz oposição a Putin, um casal de ingleses acima dos 50 que se perdeu no tempo e nas drogas, a sueca atraente e atiradiça que se divorciou há menos de um ano e não esconde que procura sexo ocasional, uma jovem grávida de seis meses com o seu companheiro, ambos nórdicos, sem medo de nada, ou o argentino atormentado, arquitecto de hospitais, que anda há ano e meio a viajar porque carr...

O Mistério das Pirâmides Bósnias

(English translation in a few days) Raquel Ochoa, em Visoko “Temos de parar de agir como professores e passarmos a agir como alunos.” É assim que Sam Semir Osmanagich, fundador do Parque Arqueológico da Pirâmide do Sol da Bósnia, termina a entrevista. Será que, caso existissem indícios de estar incorrecta, grande parte da teoria publicada seria revista pela comunidade científica? Haveria abertura para a reformulação das conclusões? É isso que propõe Semir Osmanagich com a investigação das Pirâmides da Bósnia, as primeiras alguma vez encontradas na Europa, pois, segundo ele, o achado é tão fabuloso que obrigará a rever muitas das posições, rescrevendo a História. Confirmadas as suas suspeitas, estamos perante uma das construções humanas mais antigas jamais realizadas à face da terra. Assim que se atravessa a ponte acedendo à vila de Visoko, a 70 quilómetros de Sarajevo, vê-se um monte atapetado de verde e arborizado apenas numa das frentes. Saltam à vista os seus vértices alinhados ...

ÍNDIA 2012

Conheço a Índia há 10 anos. De 2001 para 2011 noto a Índia bem diferente (como se isto fosse um país homogéneo e não uma aglomeração de 26 países, portanto Estados, diferentes) na sua sempre surpreendente condição. A classe média cresceu, há tantos carros que não andavam por aqui da última vez (2007). A classe pobre também. Como há imensos novos milhões de pessoas, o trânsito já roça a guerra , o som das buzinas é constante, metódico, desagradável, invasivo. Habituamo-nos claro, tolera-se, mas estas estradas sem sinais de trânsito (não é uma hipérbole) são dominadas por quem apita mais, mais alto e ininterruptamente. A pobreza é cada vez mais chocante, sobretudo nas grandes cidades, mas é-o em todo o lado, pois o que eram cidades pequenas há uns anos, tornaram-se aglomerados assustadores neste momento. Crianças libertam as suas fezes doentes na linha, antes que o comboio chegue. Pessoas com cotos em vez de braços ou pernas, calcinados de tão negros. Nos subúrbios de Delhi vêm-se burro...

Auckland - NZ

Com 12 horas adiantadas, algumas das primeiras imagens num dia que o mundo se manifesta.