
No porto de S. Vicente aglomeram-se as pessoas prontas para mais uma travessia do mar di Canal. O Atlântico não brinca em dias de ventania mas hoje, o mar anuncia uma especial viagem de altos e baixos. O barco Ribeira do Paúl, com capacidade para 160 passageiros, recebe os de hoje através de uma escada ondulante ligada ao cais. Começa a viagem até S. Antão, o barco distancia-se da terra com a ligeireza de uma tartaruga, pequena face ao oceano, robusta face aos golpes da viagem marítima. No mar di canal a história de naufrágios é tão longa como a memória de aqui viver.
O Ilhéu dos Pássaros, uma rocha plantada no meio do canal, faz as vezes de bússola, depois dele são uns 40 minutos a navegar com dois territórios insulares à vista, mas estranhamente distantes devido à força das correntes.
S. Antão é a última (ou a primeira) das ilhas do grupo do Barlavento. S. Vicente sempre a usou de celeiro. Por sua vez, de S. Antão imigra-se para a cidade do Mindelo, em busca cultural e comercial.
Existe uma atmosfera descontraída entre os locais, os cabo-verdianos- santantonenses ou saovicentinos - fazem mais uma viagem de ilha para ilha, carregam sacos agrícolas e algumas cestas. Bananas, papaias, feijão, milho, fruta-pão, garrafões de grogue e até molhes atafulhados de cana-de açúcar, tudo encravado debaixo dos bancos, a forma de não rebolarem pelo convés quando chegarem as investidas das ondas.
As ondas surgem a bombordo e a estibordo, sincronizadas, fazendo do barco um baloiço, ora para um lado ora para o outro, num movimento inacabado de centrifugação.
Os rostos ficam visivelmente mais tensos, mas nada que alguns vómitos sonoros não aproveitem para aliviar. O oceano, esse vai espalhando ar fresco e baleado de gotas de água, só ele e o comandante do barco participam da quantidade de direcções daquelas correntes.
Porto Novo aparece desértica. É a cidade-porta, recente e esbranquiçada. No cais já está instalado o furor da chegada diária do Ribeira de Paúl. Existe outro transporte, uma grande embarcação que faz esta travessia, mas é usado por pessoas mais endinheiradas e turistas.
- Ponta do sol! Ribeira Grande!!! - E os demais destinos são gritados pelos motoristas. Aparentemente todas as pessoas se conhecem. É um meio pequeno e as viagens já estão quase todas combinadas.
O motor da “Hiáce”, como eles dizem, um Toyota de nove lugares, arranca subindo lentamente até ao sopé da montanha, parando algumas vezes para recolher passageiros. Rostos negros e mulatos encostam-se confortavelmente aos vidros das janelas, deixando-se embalar pela estrada empedrada.
O Vale do Paúl, chega duas horas depois e já deixou para trás uma viagem de uma ponta à outra da ilha. O troço final até Vila das Pombas são alguns quilómetros de via marginal sempre a contornar o Atlântico. A estátua de S. Antão (S. António em língua Crioula) agarra o menino e não tira os olhos do oceano. Já cheira a Brasil…
Existe movimentação na vila, a maior de todo o Vale, as crianças vão para a escola de bata azul, aparentemente satisfeitas.
A origem vulcânica está presente na paisagem e entre as pessoas reina a tranquilidade de quem já viu a tempestade passar. As primeiras árvores plantadas a partir dos anos vinte do século passado, vieram da Serra da Estrela e com elas, também a metrópole enviou técnicos especialistas em implementação da agricultura com a missão de tornar estes vales e picos a rondar os dois mil metros em terrenos produzíveis. Pinheiros, eucaliptos, grevílias, ciprestes e até algumas figueiras, entre outras espécies autóctones, compõem a família florestal. Esta, entre as dez do arquipélago, é das poucas ilhas onde ainda chove, praticamente todos os anos.
O Ilhéu dos Pássaros, uma rocha plantada no meio do canal, faz as vezes de bússola, depois dele são uns 40 minutos a navegar com dois territórios insulares à vista, mas estranhamente distantes devido à força das correntes.
S. Antão é a última (ou a primeira) das ilhas do grupo do Barlavento. S. Vicente sempre a usou de celeiro. Por sua vez, de S. Antão imigra-se para a cidade do Mindelo, em busca cultural e comercial.
Existe uma atmosfera descontraída entre os locais, os cabo-verdianos- santantonenses ou saovicentinos - fazem mais uma viagem de ilha para ilha, carregam sacos agrícolas e algumas cestas. Bananas, papaias, feijão, milho, fruta-pão, garrafões de grogue e até molhes atafulhados de cana-de açúcar, tudo encravado debaixo dos bancos, a forma de não rebolarem pelo convés quando chegarem as investidas das ondas.
As ondas surgem a bombordo e a estibordo, sincronizadas, fazendo do barco um baloiço, ora para um lado ora para o outro, num movimento inacabado de centrifugação.
Os rostos ficam visivelmente mais tensos, mas nada que alguns vómitos sonoros não aproveitem para aliviar. O oceano, esse vai espalhando ar fresco e baleado de gotas de água, só ele e o comandante do barco participam da quantidade de direcções daquelas correntes.
Porto Novo aparece desértica. É a cidade-porta, recente e esbranquiçada. No cais já está instalado o furor da chegada diária do Ribeira de Paúl. Existe outro transporte, uma grande embarcação que faz esta travessia, mas é usado por pessoas mais endinheiradas e turistas.
- Ponta do sol! Ribeira Grande!!! - E os demais destinos são gritados pelos motoristas. Aparentemente todas as pessoas se conhecem. É um meio pequeno e as viagens já estão quase todas combinadas.
O motor da “Hiáce”, como eles dizem, um Toyota de nove lugares, arranca subindo lentamente até ao sopé da montanha, parando algumas vezes para recolher passageiros. Rostos negros e mulatos encostam-se confortavelmente aos vidros das janelas, deixando-se embalar pela estrada empedrada.
O Vale do Paúl, chega duas horas depois e já deixou para trás uma viagem de uma ponta à outra da ilha. O troço final até Vila das Pombas são alguns quilómetros de via marginal sempre a contornar o Atlântico. A estátua de S. Antão (S. António em língua Crioula) agarra o menino e não tira os olhos do oceano. Já cheira a Brasil…
Existe movimentação na vila, a maior de todo o Vale, as crianças vão para a escola de bata azul, aparentemente satisfeitas.
A origem vulcânica está presente na paisagem e entre as pessoas reina a tranquilidade de quem já viu a tempestade passar. As primeiras árvores plantadas a partir dos anos vinte do século passado, vieram da Serra da Estrela e com elas, também a metrópole enviou técnicos especialistas em implementação da agricultura com a missão de tornar estes vales e picos a rondar os dois mil metros em terrenos produzíveis. Pinheiros, eucaliptos, grevílias, ciprestes e até algumas figueiras, entre outras espécies autóctones, compõem a família florestal. Esta, entre as dez do arquipélago, é das poucas ilhas onde ainda chove, praticamente todos os anos.
Que ilha maravilhosa!! gostei muito e espero repetir!!
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